Uma forte explosão seguida de incêndio destruiu completamente um apartamento e causou pânico entre os moradores do bairro Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, na tarde desta quinta-feira (28). O incidente, que deixou um rastro de destruição e múltiplas vítimas, ocorreu por volta das 13h no 4º andar do bloco 3 de um condomínio residencial da região.
De acordo com relatos de vizinhos e análises preliminares no local, a principal suspeita é de que a explosão tenha sido provocada pelo acúmulo de gases de um produto químico altamente inflamável, que estava sendo utilizado por uma empresa terceirizada para a impermeabilização de um sofá na sala do imóvel. O estopim para a detonação, segundo as testemunhas, teria sido o acionamento de um fogão dentro do apartamento.
Estado de saúde das vítimas
A tragédia deixou diversas pessoas feridas, incluindo a proprietária do apartamento e os funcionários da empresa de impermeabilização contratada para o serviço. Eles foram socorridos e levados para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no bairro do Fonseca.
A direção do hospital atualizou o boletim médico das vítimas e confirmou a gravidade da situação. Ao menos três pessoas seguem internadas com queimaduras severas pelo corpo. O estado de saúde de duas delas — um homem e uma mulher — é considerado grave. Uma outra mulher ferida precisou ser transferida para uma unidade de saúde especializada.
Houve também o registro de um paciente que deu entrada na emergência, mas optou por ir embora à revelia, mesmo após ser alertado pela equipe médica sobre os riscos. Além dos feridos com queimaduras, o zelador do bloco precisou de atendimento médico após inalar muita fumaça (intoxicação), assim como uma quinta vítima socorrida no local. Ambos já receberam alta e passam bem.
Destruição e interdição do andar
O impacto da detonação foi tão violento que as paredes do apartamento onde o serviço era realizado vieram abaixo. “Aqui são oito apartamentos por andar, e este imóvel, além de outros ao lado, ficaram totalmente danificados. Não tem nem paredes”, relatou a aposentada Kathia Caridade, de 68 anos, que mora no bloco 2 do mesmo condomínio.
A Defesa Civil Municipal de Niterói foi imediatamente acionada e enviou equipes técnicas para avaliar a estrutura do edifício. Segundo o órgão, apesar do cenário de guerra, não há risco iminente de colapso estrutural do prédio. No entanto, por medida de segurança, todo o 4º andar (que abrange oito unidades habitacionais) foi completamente interditado devido aos severos danos causados pelo deslocamento de ar e pelas chamas.
O edifício precisará passar por reparos emergenciais e complexos nos sistemas de energia elétrica, de fornecimento de gás e nos elevadores, que foram comprometidos. A Defesa Civil orientou os responsáveis pelo condomínio a manterem os elevadores desligados e a energia e o gás cortados no trecho afetado.
Com o apoio e escolta dos agentes da Defesa Civil, os moradores das unidades interditadas puderam acessar seus apartamentos de forma controlada apenas para a retirada de documentos essenciais, medicamentos e o resgate de animais de estimação. “O cenário é triste. O bloco foi liberado, mas está sem água, gás e elevador”, lamentou a moradora Kathia, que mobilizou uma rede de solidariedade para ajudar os vizinhos desalojados com lanches, remédios e ração.
Ação heroica de funcionários
Um dos pontos que evitou uma tragédia com proporções ainda maiores foi a rápida ação de funcionários que trabalham no condomínio. Antes mesmo da chegada das viaturas do Corpo de Bombeiros — que foram acionadas às 13h15 —, a equipe de manutenção e o zelador do prédio tomaram a frente da situação.
“Foi essa equipe, junto com o zelador do meu bloco, que desligou o gás, a luz e a água, conseguiu apagar o fogo e resgatar a idosa do andar onde aconteceu o acidente. Quando os bombeiros chegaram, eles já tinham controlado. Os colaboradores dessa equipe merecem toda a gratidão. Eles não mediram esforços para acabar com a situação e socorrer os moradores”, destacou a aposentada Kathia, enaltecendo a coragem dos trabalhadores.
Investigações em andamento
As causas exatas e a responsabilidade civil e criminal pelo ocorrido já estão sob investigação. A perícia da Polícia Civil foi realizada no imóvel ainda durante a tarde, confirmando que o epicentro do fogo foi realmente a sala onde ocorria o serviço de impermeabilização.
O caso foi registrado na 77ª Delegacia de Polícia (Icaraí). Os agentes já começaram a ouvir testemunhas e realizam diligências complementares para apurar se houve negligência por parte da empresa contratada em relação à falta de orientação sobre a ventilação do espaço e o uso simultâneo de fontes de calor (como o fogão). As autoridades deverão fornecer novos detalhes com a conclusão dos laudos periciais.
