
A passarela do samba no Caminho Niemeyer foi palco da abertura oficial dos desfiles de Niterói na noite desta sexta-feira, 6 de fevereiro. As escolas da Série Ouro apresentaram seus enredos para o público e inauguraram o novo formato da pista de desfiles. O traçado agora retilíneo substituiu a antiga curva e facilitou a evolução técnica das escolas e a visualização das alegorias.
A competição teve início com a apresentação da Cacique da São José. A agremiação do Largo da Batalha levou para a avenida uma homenagem póstuma ao baixista Arthur Maia. O desfile recordou a importância do instrumentista para a música brasileira e contou com alas que remetiam ao universo do samba-jazz e do funk.
Destaques da Madrugada
A programação seguiu com a passagem de escolas tradicionais como a Unidos do Sacramento e a Banda Batistão que apostaram na força da bateria para contagiar os jurados. O Combinado do Amor trouxe um dos enredos mais densos da noite ao abordar a vida de Nelson Mandela e a luta contra o apartheid. A escola do Caramujo investiu em alegorias com estética africana para buscar o campeonato.
A Unidos da Região Oceânica coloriu a avenida com referências à natureza e às praias da cidade. O encerramento já na madrugada de sábado ficou por conta do bloco Garra de Ouro e da agremiação Tá Rindo Por Quê. A apuração das notas que definirá a campeã e o acesso ao Grupo Especial acontecerá na próxima semana.
Análise das Escolas (Ordem de Apresentação)
G.R.E.S. Cacique da São José
Responsável por abrir a noite a escola trouxe uma homenagem emotiva ao baixista Arthur Maia, sobrinho de Luiz Carlos da Vila e ícone da música falecido precocemente. O destaque ficou para o uso de instrumentos musicais na alegoria e a cadência da bateria que tentou emular o balanço funk e samba-rock que Arthur dominava.
G.R.E.S. Unidos da Região Oceânica
A agremiação representou bairros como Itaipu e Piratininga e trouxe uma estética mais leve e colorida. A ala das baianas e a comissão de frente apostaram em elementos da natureza e do mar típicos da região que representam.
G.R.E.S. Unidos do Sacramento
Escola tradicional da comunidade do Sacramento. O ponto alto foi a harmonia e o canto da comunidade. Trata-se de uma escola de “chão forte” onde os componentes cantam o samba com vigor mesmo com alegorias mais modestas.
G.R.E.S. Banda Batistão
Originalmente uma banda que virou escola o ponto forte foi a bateria e a comunicação com o público. É um desfile que levantou a arquibancada pela sua origem de bloco de rua.
G.R.E.S. Paraíso do Bonfim
Escola da Zona Norte de Niterói do bairro do Fonseca. Historicamente traz enredos ligados às suas raízes locais. O destaque técnico ficou com o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira quesito em que costumam investir bastante para garantir notas.
G.R.E.C. Garra de Ouro
Penúltima a desfilar pegou o público já mais aquecido. O nome “Garra” se traduz em desfiles vibrantes. A escola buscou manter o ritmo sem correrias no final o que é um desafio comum para agremiações que desfilam nesse horário.
G.R.C.E.S. Combinado do Amor
Uma das agremiações mais antigas e tradicionais do bairro do Caramujo. Trouxe um tema forte ligado à África e humanidade com foco em Mandela e liberdade. Foi o desfile mais “pesado” culturalmente da noite. A plástica foi superior com fantasias mais detalhadas e o samba-enredo teve trechos fortes como “Mandela, o grito de liberdade” para emocionar os jurados.
G.R. Bloco Carnavalesco Tá Rindo Por Quê
Fechou a noite já na madrugada de sábado. Por ter origem em bloco trouxe uma irreverência maior. A missão deles foi manter a energia do público até o fim da transmissão.
Acompanhe a gravação oficial da abertura do Carnaval de Niterói. O vídeo registra a passagem de todas as escolas da Série Ouro pelo Caminho Niemeyer na noite de sexta-feira (6).
