"Vai morrer": vídeo revela perseguição de PMs a motociclista assassinado no bairro Pacheco
Pai da vítima afirma que o jovem fugiu por estar com a documentação da moto atrasada. Polícia Militar determina o afastamento do agente envolvido e a DHNSG assume a investigação.
Câmeras de monitoramento residencial capturaram cenas assustadoras no bairro Pacheco, em São Gonçalo. As imagens revelam os instantes finais de Eduardo de Castro Ornellas, um motociclista de 26 anos morto a tiros durante uma ação de policiais militares do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom).
O vídeo mostra três agentes correndo em via pública com os fuzis em punho. Enquanto perseguem o jovem, é possível ouvir com clareza a voz de um dos policiais gritando repetidas vezes a frase: "Vai morrer! Vai morrer!".
A família de Eduardo rechaça qualquer ligação do rapaz com a criminalidade. O pai da vítima, Carlos Eduardo Souza, relatou que o filho se assustou com a blitz porque estava com a documentação da motocicleta irregular. O jovem trabalhava formalmente, mas usava o veículo para fazer corridas de aplicativo (Uber e 99) nas folgas e complementar a renda de casa.
No momento da abordagem, Eduardo estava acompanhado da namorada na garupa. Durante a tentativa de evasão, os policiais efetuaram disparos que atingiram a perna da moça, provocando a queda do casal. Desesperado, Eduardo se levantou e tentou fugir correndo a pé.
De acordo com o relato do pai, a polícia alegou legítima defesa sob a justificativa de que o rapaz teria levado a mão à cintura. Carlos contesta essa versão de forma incisiva.
"Eles correram atrás dele falando que iam matar ele, que vai morrer vagabundo, e mataram meu filho. (...) Quando eu fui ver o corpo do meu filho, o policial falou pra mim: 'Ele botou a mão na cintura', mas ele foi ajeitar o telefone que estava caindo. Eu ainda tive que escutar do policial: Antes ele do que eu", desabafou Carlos Eduardo.
Afastamento e sepultamento
Na manhã de segunda-feira (1º), os familiares compareceram ao Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó para providenciar a liberação do corpo. O velório de Eduardo está agendado para esta terça-feira (2), com início às 8h, e o sepultamento ocorrerá às 11h30 no Cemitério Parque da Paz, no próprio bairro Pacheco.
Em um comunicado oficial, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro declarou que o agente que efetuou os disparos foi afastado imediatamente das atividades operacionais. O caso será apurado internamente pela Corregedoria-Geral da Corporação, através da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Paralelamente, a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) assumiu a investigação criminal.
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