Dividido, Leste Fluminense repete o mapa de 2022: Flávio vence em sete cidades e Lula, em Niterói
Na soma das oito cidades, Flávio teve 50,83% dos votos válidos, e Lula, 49,17%; a vantagem dele na região caiu de 101 mil votos no primeiro turno para 20 mil
Flávio Bolsonaro (PL) venceu em sete das oito cidades do Leste Fluminense no segundo turno da eleição presidencial, neste domingo (25). Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito, só teve maioria em Niterói. Somados os votos dos oito municípios, porém, a região ficou quase dividida ao meio: 612.955 votos para Flávio (50,83% dos válidos) e 592.921 para Lula (49,17%), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No primeiro turno, em 4 de outubro, a vantagem de Flávio nas oito cidades tinha sido de 101.159 votos, com 50,68% a 42%. Entre um turno e outro, Lula ganhou 103.454 votos na região, e Flávio, 22.329. Nenhuma cidade mudou de lado: quem liderou no primeiro turno venceu no segundo. A abstenção caiu de 21,95% para 20,42% na região e só subiu em Silva Jardim, de 20,16% para 20,73%.
A disputa mais apertada foi em Maricá, onde Flávio venceu por 2.231 votos. Em São Gonçalo, a maior cidade da região, com 653 mil eleitores, a diferença a favor dele caiu de 11,96 pontos percentuais no primeiro turno para 3,96 no segundo, ou 19.484 votos. Em Niterói, Lula ampliou a vantagem de 4,64 para 10,30 pontos. As maiores votações de Flávio foram em Rio Bonito (62,21%) e Silva Jardim (62,18%).
Resultado do 2º turno por cidade, em votos válidos
- Niterói: Lula 55,15% e Flávio 44,85%, 33.900 votos de diferença (1º turno: Lula 48,35% e Flávio 43,71%)
- São Gonçalo: Flávio 51,98% e Lula 48,02%, 19.484 votos de diferença (1º turno: Flávio 52,37% e Lula 40,41%)
- Itaboraí: Flávio 54,21% e Lula 45,79%, 11.389 votos de diferença (1º turno: Flávio 54,88% e Lula 37,98%)
- Maricá: Flávio 50,78% e Lula 49,22%, 2.231 votos de diferença (1º turno: Flávio 49,82% e Lula 43,18%)
- Rio Bonito: Flávio 62,21% e Lula 37,79%, 8.650 votos de diferença (1º turno: Flávio 61,96% e Lula 31,13%)
- Tanguá: Flávio 55,56% e Lula 44,44%, 2.301 votos de diferença (1º turno: Flávio 56,58% e Lula 37,02%)
- Cachoeiras de Macacu: Flávio 58,97% e Lula 41,03%, 6.380 votos de diferença (1º turno: Flávio 59,62% e Lula 34,17%)
- Silva Jardim: Flávio 62,18% e Lula 37,82%, 3.499 votos de diferença (1º turno: Flávio 62,55% e Lula 31,16%)
- Total das oito cidades: Flávio 50,83% e Lula 49,17%, 20.034 votos de diferença (1º turno: Flávio 50,68% e Lula 42%)
Diferença menor a cada eleição
O mapa é o mesmo de 2022. No segundo turno daquele ano, Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição pelo PL, venceu nas mesmas sete cidades, e Lula ganhou em Niterói, com 51,21% dos válidos. Na soma da região, Bolsonaro teve 54,12%, e a diferença foi de 96.158 votos. Em 2018, Bolsonaro, então no PSL, tinha vencido nas oito cidades, inclusive em Niterói, com 62,46%, e somou 65,67% na região contra Fernando Haddad (PT).
Nas três eleições, o candidato do PT cresceu na região no segundo turno: 34,33% com Haddad em 2018, 45,88% com Lula em 2022 e 49,17% agora. Na comparação com 2022, Lula melhorou em sete das oito cidades. A exceção foi Silva Jardim, onde passou de 38,14% para 37,82%.
No estado do Rio, Flávio venceu com 53,10% dos válidos. O resultado de Lula no Leste Fluminense (49,17%) ficou entre o do estado (46,90%) e o do país (51,79%). Na capital, o resultado virou: Jair Bolsonaro tinha vencido lá em 2022, com 52,66%, e agora Lula teve 51,54%.
Voto dividido entre os cargos
Nos cargos do estado, decididos em 4 de outubro, o PL foi mais forte na região do que na disputa presidencial. O gonçalense Douglas Ruas (PL), eleito governador no primeiro turno, teve 55,62% dos votos válidos na soma das oito cidades, contra 39,95% de Eduardo Paes (PSD). Ruas venceu em sete delas e passou de 60% em seis, de 61,45% em São Gonçalo a 65,19% em Rio Bonito; em Maricá, teve 51,95%. Paes só venceu em Niterói, com 50,61%.
Para o Senado, os eleitos Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, foram os dois mais votados em seis cidades. Em Niterói, a primeira colocada foi Benedita da Silva (PT), com 25,41%. Em Maricá, Benedita ficou em segundo lugar, com 23,88%, entre Portinho (24,57%) e Jordy (23,36%). Para deputado federal, o PL foi o partido mais votado em sete cidades, inclusive em Niterói, onde teve 31,24% dos votos válidos, contra 14,71% do PT. A exceção foi Maricá, onde o PT teve 52,78%.
Nas eleições municipais de 2024, o mapa foi mais variado. O PL elegeu os prefeitos de São Gonçalo, Itaboraí e Tanguá, com mais de 80% dos votos válidos. Em Maricá, o PT elegeu Washington Quaquá, com 73,74%. Em Niterói, Rodrigo Neves (PDT) derrotou Carlos Jordy (PL) no segundo turno, com 57,20%. Rio Bonito elegeu Marcos Abrahão (União); Cachoeiras de Macacu, Rafael Miranda (PP); e Silva Jardim, Maira Figueiredo (MDB).
Os números mostram eleitores que mudam de escolha conforme o cargo. Maricá deu ao PT a prefeitura, em 2024, e a maioria dos votos para deputado, mas preferiu Ruas para governador e Flávio para presidente. Niterói deu a vitória a Lula, Paes e Benedita e, na mesma eleição, fez do PL o partido mais votado para a Câmara dos Deputados.
Quem é o eleitor da região
Os oito municípios da cobertura do LF News somam 1.566.179 eleitores aptos a votar no segundo turno, segundo o TSE. São Gonçalo (653.176) e Niterói (412.177) reúnem 68% deles. As mulheres são maioria em todas as cidades e chegam a 54,2% do eleitorado da região, de acordo com o perfil divulgado pela Justiça Eleitoral em julho.
O Censo 2022, do IBGE, mostra outras diferenças entre as cidades. Nas cinco em que Flávio passou de 54% dos válidos (Rio Bonito, Silva Jardim, Cachoeiras de Macacu, Tanguá e Itaboraí), os evangélicos são de 43,4% a 46,7% dos moradores com 10 anos ou mais. Em São Gonçalo, são 35,6%; em Maricá, 31,9%; e em Niterói, 22,2%, abaixo da média do estado, de 32%. Niterói também tem a maior proporção de moradores com curso superior completo: 42,5% dos que têm 25 anos ou mais, mais que o dobro da média do estado (19,6%). Maricá vem em seguida, com 20%; São Gonçalo tem 11,4%, e Tanguá, 6,9%.
São dados de cada cidade, e não de cada eleitor: não dizem em quem votaram os evangélicos ou os que têm diploma. O que mostram é que, no Leste Fluminense, as maiores votações de Flávio vieram das cidades com mais evangélicos, e as melhores de Lula, das duas cidades com mais moradores com curso superior.
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