Flávio Bolsonaro chega a Miami e divulga carta em que se diz “verdadeiro presidente eleito do Brasil”
Documento acusa a eleição de fraude, sem provas; uma versão seguinte troca a expressão por “líder do Brasil”, e a primeira trazia o brasão antigo, de “Estados Unidos do Brazil”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28), e divulgou uma carta aos brasileiros e à comunidade internacional na qual se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Essa é a primeira manifestação pública dele depois de deixar o país, quando já estava sob uma ordem de Moraes para entregar os passaportes.
Na carta, Flávio afirma que o segundo turno foi marcado por “fraude eleitoral”, sem apresentar provas, e critica a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação em duas horas em locais onde as urnas não haviam fechado. Ele agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, e diz que vai se dirigir aos brasileiros com frequência e organizar a oposição por “meios pacíficos e legítimos”, segundo a imprensa que teve acesso ao texto.
O senador diz que “não fugiu do Brasil” e que saiu do país para evitar perseguição política. Na segunda-feira (26), ele havia dito que o ministro Alexandre de Moraes o proibiu de deixar o país e determinou a entrega dos passaportes, em um inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades. Segundo o Jornal de Brasília, a medida não equivale a ordem de prisão, e o senador afirma que não há mandado contra ele.
De acordo com relatos da imprensa, ele deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e seguiu em um avião particular, com escala no Equador, até Miami. Na terça-feira (27), Trump disse que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, mas afirmou não saber onde ele estava. Uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo concederia vistos a Flávio e à família, segundo o Jornal de Brasília.
A carta circulou em pelo menos três versões. A primeira trazia o brasão usado no país entre a Proclamação da República, em 1889, e 1968, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, segundo o site Agenda do Poder. Treze minutos depois, aliados do senador compartilharam uma nova versão com o brasão atual, encaminhada pelo comentarista Paulo Figueiredo com a observação “Versão com brasão correto”. Em uma versão seguinte, a expressão “verdadeiro presidente” foi trocada por “líder do Brasil”.
Lula venceu o segundo turno, no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, segundo o TSE, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos. O Jornal de Brasília ressalta que o aumento da votação de um candidato entre os dois turnos não é, por si só, evidência de fraude. O PL reconheceu o resultado em nota assinada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
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