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POLÍTICA

Flávio Bolsonaro diz que vai entregar os passaportes à PF e que Moraes o proibiu de deixar o país

Decisão corre em segredo de Justiça e foi divulgada pelo senador, que diz nunca ter pensado em sair do Brasil e que a ordem se baseia em uma fala do irmão, Eduardo

Leste Fluminense News 4 min de leitura
Flávio Bolsonaro, de camisa branca e com uma folha de papel na mão, fala diante de vários microfones; atrás dele, apoiadores usam camisas da seleção brasileira e adesivos com o número 22.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fala à imprensa em Brasília, no domingo (25), depois do resultado do segundo turno. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (26) que a Polícia Federal (PF) o intimou a entregar os passaportes e que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o impediu de sair do país. Em vídeo nas redes sociais, um dia depois de perder a eleição presidencial para Lula (PT), ele disse que vai cumprir a ordem e se defender.

Segundo Flávio, a abordagem aconteceu em Brasília, de manhã, quando ele deixava a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Agentes da PF estavam na porta e, nas palavras do senador, ele foi intimado “no meio da rua”. A decisão corre em segredo de Justiça e foi divulgada por ele. A PF confirmou a intimação ao Poder360. A Bancada da Oposição na Câmara dos Deputados divulgou nota em que pede esclarecimentos sobre os fundamentos jurídicos da medida, sua necessidade e sua proporcionalidade.

Os veículos divergem sobre o que a ordem determina quanto aos passaportes. Segundo a Exame, Flávio tem 24 horas para entregar os documentos comum e diplomático. Para o g1 e o InfoMoney, a ordem cancela os passaportes brasileiros, inclusive o diplomático, e dá 24 horas para a entrega de eventuais documentos de outros países. Os três relatam ainda que ela proíbe o senador de deixar o país e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo processo. Flávio disse que a decisão foi tomada na noite de domingo, logo depois do resultado da eleição.

Segundo ele, a decisão se apoia numa fala do irmão, Eduardo Bolsonaro, que na sexta-feira (23) defendeu, em entrevista a um programa dos Estados Unidos, que Flávio deixasse o país se perdesse a eleição. “Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou o senador. Ele disse que nunca pensou em sair do Brasil e que vai entregar os passaportes e se defender do que chamou de “aberração”.

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Eduardo, ex-deputado federal que perdeu o mandato, mora nos Estados Unidos desde 2025. Em junho, a Primeira Turma do STF o condenou, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto. O crime foi coação no curso do processo em que o pai, Jair Bolsonaro, foi julgado pela trama golpista. A denúncia citava declarações em que ele dizia ter atuado para que os Estados Unidos impusessem sanções a autoridades brasileiras. Segundo a Agência Brasil, há um mandado de prisão em aberto contra ele no Brasil.

Os inquéritos no STF

O senador é investigado em pelo menos dois inquéritos no Supremo. No relatado por Moraes, ele e Tomaz são alvo de apuração por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a plataformas de apostas. O caso nasceu na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, a partir de um procedimento da PF, e subiu ao STF em 8 de outubro, porque ele tem foro por prerrogativa de função; Moraes foi sorteado relator.

Na sexta-feira (23), Moraes mandou bloquear até R$ 6 bilhões de Tomaz, e o teto não significa que esse valor tenha sido encontrado. Em relatório citado pelo g1, a PF afirma que Flávio figurava como “usuário master” da conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Em princípio, o perfil dava a ele acesso elevado e poder de gerenciamento da conta. Segundo a Exame, os investigadores ainda tentam esclarecer a natureza desse vínculo, e a defesa de Tomaz nega que Flávio tivesse esse acesso. A defesa do senador fala em amizade entre as famílias e diz ser falsa a informação de que os dois dividiam uma conta bancária.

Outro inquérito é relatado pelo ministro André Mendonça e apura o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A PF investiga repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, ao projeto. Flávio foi incluído como investigado em julho, por suspeita, em tese, de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Ele nega irregularidades nos dois casos.

Depois do segundo turno

A intimação veio um dia depois de Lula vencer o segundo turno, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, segundo o TSE. Na noite de domingo, o senador disse que era “impossível reconhecer” o resultado e que pediria a anulação da eleição. Nesta segunda, a assessoria dele disse ao Poder360 que, por ora, não há previsão de dar continuidade a esse pedido, e o PL reconheceu o resultado em nota assinada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto.

No vídeo desta segunda, Flávio anunciou que vai pedir a cassação da chapa de Lula, que tem Geraldo Alckmin (PSB) como vice, por abuso de poder político e econômico que atribui ao presidente. Disse também que vai organizar a oposição no Congresso.

Ele também contesta a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação até as 19h nos locais onde as urnas não haviam sido fechadas às 17h. Segundo o STF, as duas candidaturas alegaram problemas de transporte de eleitores.

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