Pular para o conteúdo

20:11

22°C Niterói

Leste Fluminense News Leste Fluminense News
TEMPO Niterói 22° 21° / 26° São Gonçalo 22° 20° / 27° Itaboraí 22° 20° / 28° Maricá 22° 21° / 26°
Retrato de Marco Guahyba
Opinião por Marco Guahyba
Coluna do Guahyba
CRÍTICA Opinião

O Marinheiro: um drama extático de Fernando Pessoa

Por Marco Guahyba 2 min de leitura
Foto da capa do livro O Marinheiro, de Fernando Pessoa: fundo branco, título em azul e um desenho em traços pretos de um homem de chapéu.
Capa de uma edição de O Marinheiro, de Fernando Pessoa. Foto: Reprodução

A Morte preside a cena. Trata-se de um “drama estático”: algo parado, imóvel, sem sofrer alterações de movimento no tempo. Não há ação física, mas profunda reflexão filosófica e poética. Em termos cênicos, há ação interior. E, no interior da ação, a palavra. Que sempre escapa, desliza, transporta, não se sabe bem o quê.

A palavra, a única forma de lidar com a morte, mesmo quando não dita explicitamente o seu sentido. Vale a pena? O poeta é um fingidor...; “Não sei quantas almas tenho”.

Três donzelas velam o corpo de uma quarta vestida de branco. O que se faz durante a peça ocorre ante a morte. Falam sobre o passado e sobre lembranças que nunca tiveram.

Uma das donzelas conta a história de um marinheiro (náufrago da existência?), náufrago em uma ilha inalcançável, que inventou uma nação inteira, um território inalienável, que se perde nas espumas do mar, para vencer a solidão. O “mar português”? Pessoa nunca se esquece de a-mar.

Publicidade

ProduPlay, editais da PNAB: o recurso da PNAB já existe, falta o seu projeto cultural. Equipe que já operou a PNAB por dentro. WhatsApp (21) 98850-6819.

Porém, no final, toda cena pode ser apenas um sonho.

A peça aborda o mistério da existência, a existência do mistério, a alma dos heterônimos; a melancolia do tempo, no tempo, na alma do tempo, do tempo na alma.

O alto preço humano de existir. De inventar um destino, um sonho, um desejar que é imenso e que comporta, como todo desejar, também uma ruína.

E mais. Há um diálogo entre o eu lírico, o eu trágico, o eu como ficção, o eu da modernidade. O ideal que só se forma para que a história o transforme. A história com suas criações e perdas. As perdas com sua própria história. A vida que flui, que vai, que se vai, que se esvai. No fim, tudo é impreciso. Tudo é escrito para se (tentar) escrever o ser.

Afinal, “Navegar é preciso; viver não é preciso.”

Bernardo Soares, uma das sombras de Pessoa, em seu Livro do Desassossego, diz que “não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram.”

Publicidade

ProduPlay, editais da PNAB: o recurso da PNAB já existe, falta o seu projeto cultural. Equipe que já operou a PNAB por dentro. WhatsApp (21) 98850-6819.

Leia também