Lula vence Flávio Bolsonaro no 2º turno com 51,79% dos votos válidos e conquista o quarto mandato
Presidente ficou atrás no primeiro turno e é o primeiro a virar uma eleição presidencial desde 1989; Flávio diz que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo (25) e terá o quarto mandato na Presidência. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula somou 64.256.232 votos no segundo turno, ou 51,79% dos válidos, e Flávio, 59.826.041 (48,21%). A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027.
No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio tinha ficado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Desde 1989, quando o país voltou a eleger o presidente pelo voto direto, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar tinha vencido a disputa. A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para cerca de 19,2% no segundo, de acordo com o TSE.
Em discurso num hotel em São Paulo, Lula disse que a eleição lhe ensinou “muitas lições”. “Quero dizer que vamos mudar o jeito de governar este país”, afirmou, segundo a Agência Brasil. Ele também falou a apoiadores na Avenida Paulista.
Nascido em Pernambuco, Lula se tornou conhecido como líder sindical dos metalúrgicos do ABC paulista e foi um dos fundadores do PT, em 1980. Chegou ao Planalto pela primeira vez na eleição de 2002 e ganhou de novo em 2006. Passou 580 dias preso, entre 2018 e 2019, por condenações da Operação Lava Jato que o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou em 2021, e voltou ao Planalto em 2023. No dia 16, esteve na sessão em que o Congresso promulgou a emenda constitucional que acaba com a escala de trabalho 6x1. Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27). Na posse, será o presidente mais velho a assumir o cargo, marca que já era dele desde 2023, e o primeiro eleito quatro vezes pelo voto direto.
Prorrogação e contestação
O ministro Cristiano Zanin, do STF, prorrogou a votação das 17h para as 19h, no horário de Brasília, numa decisão liminar. O pedido foi da coligação de Lula, que apontou redução da frota de ônibus em cidades de nove estados. A campanha de Flávio também tinha pedido ao TSE mais tempo de votação, mas só em municípios de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, por causa de chuva, alagamentos e falta de energia, segundo a Gazeta do Povo.
Ao fazer o balanço do segundo turno, o ministro Kassio Nunes Marques, que preside o TSE, disse que a mudança exigiu ajustes nos sistemas e cuidados extras com a segurança de servidores e mesários. De acordo com o tribunal, milhares de urnas já tinham sido encerradas quando veio a decisão, sem possibilidade de reabertura. “Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensado e estruturado”, afirmou o ministro.
Por volta das 22h40, em Brasília, Flávio disse que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, declarou, de acordo com a Gazeta do Povo. Ele afirmou que a prorrogação quebrou a igualdade entre os eleitores, porque nem todas as urnas foram reabertas, e que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE. Na madrugada desta segunda-feira (26), a Justiça Eleitoral classificou como falsa a informação sobre os fiscais e informou que a sala-cofre não é aberta à visitação.
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