Paulo Cesar da Silva Souza, conhecido como Mestre Paulinho Sabiá, foi atingido por 3 tiros
Fundador do grupo Capoeira Brasil foi sepultado sob forte comoção e com roda de capoeira na Região Metropolitana; homenagens chegaram de diversos países.

O assassinato do mestre de capoeira Paulo César da Silva Souza, de 65 anos, conhecido mundialmente como Paulinho Sabiá, gerou uma onda de comoção e homenagens de alunos e colegas de diversas partes do Brasil e do mundo. Morto a tiros na última quarta-feira (18) em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, o mestre foi sepultado na sexta-feira (20) no cemitério Parque da Colina. O velório foi marcado por uma roda de capoeira organizada por amigos e alunos, simbolizando a despedida de um dos maiores nomes da prática.
A dimensão do impacto de Paulinho Sabiá na propagação da cultura brasileira pôde ser vista pelas coroas de flores enviadas ao enterro, que traziam remetentes de países como Bélgica e Arábia Saudita. Com mais de 40 anos de dedicação, ele foi um dos fundadores do grupo Capoeira Brasil e ajudou a expandir a modalidade internacionalmente. O mestre ministrou aulas por muitos anos em Paris, na França, além de organizar excursões e encontros globais.

Legado de paz e formação de mestres
Nas redes sociais e em depoimentos, ex-alunos e colegas de profissão descreveram Sabiá utilizando palavras como humildade, educação, sabedoria, ética e seriedade.
Para Rudge Brasil, o Formando Marinheiro, representante do grupo em Belo Horizonte (MG), a perda é inestimável. Ele destacou que, nos 28 anos de convívio, Sabiá sempre se mostrou um mestre ético, gentil e preocupado com a evolução organizada da modalidade. Valdiney Souto dos Santos, o Mestre Geada, de São José dos Pinhais (PR), relembrou a postura do professor, definindo-o como um líder que mantinha-se humilde e atencioso com todos, independentemente da graduação.
O legado de Sabiá vai além da técnica corporal e alcança a formação humana. Toni Vargas, mestre do Ilê do Seu Peixinho, no Leme, ressaltou que o fundador do Capoeira Brasil deixa não apenas excelentes profissionais formados, mas também uma ideologia baseada na paz, no amor e no respeito ao povo.
Diretamente de Fortaleza, o mestre Kim Capoeira, antigo professor e amigo, resumiu o sentimento de luto da comunidade capoeirista em versos: “Hoje a capoeira chora, O berimbau avisa: Mestre Paulinho foi embora. Seu jeito de cantar permanece nas rodas e o seu jeito de jogar. Voa, sabiá, foi embora”
Atentado prévio e detalhes da execução
A morte de Paulinho Sabiá ocorreu sob circunstâncias alarmantes que já estão sendo investigadas pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Na quarta-feira (18), a vítima estava no banco do carona de um carro dirigido por sua companheira. De acordo com a Polícia Militar, o casal parou o veículo no cruzamento da Rua Sete de Setembro com a Rua Lemos Cunha, em Icaraí. Nesse momento, dois homens em uma motocicleta se aproximaram pelo lado do carona e fizeram disparos à queima-roupa. O mestre foi atingido por três tiros e os criminosos fugiram em seguida, em meio ao desespero da motorista que tentava pedir ajuda.
O assassinato consumado ocorreu a poucos metros da 77ª DP (Icaraí), delegacia onde a própria vítima havia registrado uma tentativa de homicídio apenas dois dias antes. Na segunda-feira (16), enquanto caminhava com a namorada na Praia das Flexas, um homem se aproximou por trás e encostou uma arma na nuca do capoeirista. A arma, no entanto, falhou e estalou três vezes, permitindo que ele escapasse ileso enquanto o criminosos fugia em uma moto. O inquérito sobre essa primeira tentativa já foi encaminhado para a DHNSG, que trabalha para identificar os autores e a motivação do crime.

