Angra dos Reis contabiliza mais de duzentos desalojados após deslizamentos e cidades da Região dos Lagos suspendem aulas por causa de alagamentos.
O estado do Rio de Janeiro sofre os impactos de uma forte frente de temporais que atinge o território fluminense de norte a sul nos últimos dias. As ocorrências climáticas já provocaram mortes, deixaram feridos e causaram transtornos generalizados em dezenas de cidades. O Governo do Estado informou que, até a noite de ontem, ao menos 22 municípios estavam classificados com risco hidrológico alto ou muito alto, indicando grande possibilidade de enxurradas e inundações.
A situação mais grave foi registrada na Costa Verde. Em Angra dos Reis, a Defesa Civil municipal contabilizou mais de 200 milímetros de chuva em um intervalo de apenas seis horas, forçando o acionamento de 20 sirenes de alerta. A prefeitura confirmou a morte de um homem no bairro Parque Belém. Diversos deslizamentos atingiram imóveis, especialmente na região central da cidade, deixando ao menos 200 moradores desalojados. O município vizinho de Paraty teve o estado de calamidade pública reconhecido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Na Região dos Lagos e no Norte Fluminense, os transtornos forçaram mudanças na rotina. As cidades de Rio das Ostras, Arraial do Cabo e Macaé determinaram a suspensão das aulas na rede pública de ensino devido aos alagamentos nas vias. Em Macaé, a Defesa Civil atuou na remoção de alunos de uma escola no bairro Novo Horizonte e os eventos de carnaval previstos para o fim de semana foram totalmente cancelados.
Recorde histórico na capital
Na cidade do Rio de Janeiro, o mês de fevereiro entrou oficialmente para a história da climatologia. Segundo o Sistema Alerta Rio, órgão meteorológico da prefeitura, este foi o fevereiro mais chuvoso de toda a série histórica, iniciada em 1997.
A capital acumulou 350 milímetros de chuva, volume que representa quase o triplo da média histórica estipulada para o período, que é de 118,3 milímetros. Os pluviômetros registraram precipitações em 21 dos 27 dias do mês, e todas as 33 estações da rede municipal ultrapassaram a média climatológica. A meteorologista Mayara Villela explicou que o aumento expressivo se deve à atuação mais frequente de sistemas instáveis, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (Zcas).
Embora a previsão aponte para uma redução dos acumulados de chuva nos próximos dias, as autoridades mantêm o alerta. O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais do Rio (Cemanden-RJ) emitiu 34 comunicados severos de risco. A principal preocupação dos bombeiros é com o solo extremamente encharcado, o que eleva exponencialmente os riscos de novos deslizamentos de terra em áreas de encosta.
