Douglas Ruas vence no 1º turno e será o primeiro governador gonçalense desde a redemocratização
Com a anulação dos votos de Garotinho pelo TSE, ele passa de 50% dos votos válidos; Paes vai recorrer ao STF para tentar o segundo turno
São Gonçalo vai ter, pela primeira vez desde a redemocratização, um filho da cidade no governo do estado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anulou nesta quinta-feira (8) os 274.411 votos dados a Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno, e Douglas Ruas (PL), de 37 anos, passou da metade dos votos válidos. Ele vence a eleição para governador do Rio sem precisar de segundo turno.
O placar foi de 5 a 2. O relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, foi acompanhado por Estela Aranha, André Mendonça, Dias Toffoli e pelo presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques. Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior também entenderam que Garotinho não podia ser candidato, mas votaram para manter os votos dele na conta, o que levaria a disputa ao segundo turno. A corte ainda recusou o pedido de Garotinho para desistir do recurso, apresentado depois da votação.
Garotinho concorreu com o registro de candidatura negado pela Justiça Eleitoral, que apontou a suspensão dos direitos políticos dele por uma condenação por improbidade administrativa e problemas na filiação partidária. O nome continuou na urna porque a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) saiu depois do fechamento do sistema da urna eletrônica. A coligação de Eduardo Paes (PSD), segundo colocado, pedia que esses votos fossem contados. "O governador só é eleito com a maioria absoluta dos votos válidos", disse Paes na quarta-feira (7), em vídeo nas redes sociais. Depois do julgamento, a coligação informou em nota que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), com um pedido de medida cautelar "para garantir a realização do segundo turno".
Com a decisão, cabe ao TRE-RJ refazer a totalização sem os votos de Garotinho e proclamar o resultado. Pela conta feita com os números oficiais do primeiro turno, Ruas fica com 50,88% dos votos válidos, e Paes, com 44,16%. Os eleitos têm de ser diplomados até 18 de dezembro, e a posse será em 6 de janeiro de 2027, a primeira nessa data, fixada pela Emenda Constitucional 111, de 2021.
A vice na chapa é Fernanda Louback (PL), vereadora de Niterói. No dia 25, os eleitores fluminenses voltam às urnas apenas para o segundo turno da eleição presidencial.
Nascido e criado em São Gonçalo
Douglas Ruas dos Santos nasceu em São Gonçalo em 17 de janeiro de 1989 e é filho do prefeito da cidade, Capitão Nelson (PL). Inspetor concursado da Polícia Civil e formado em Direito, começou na vida pública na própria cidade, como subsecretário municipal de Trabalho. Depois foi superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e, de 2021 a 2022, secretário municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais, pasta encarregada de elaborar projetos e buscar recursos para obras.
Na primeira eleição que disputou, em 2022, foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 175.977 votos. Na Assembleia Legislativa (Alerj), liderou a bancada do PL e, em abril deste ano, foi eleito presidente da Casa. No domingo (4), teve 264.410 votos em São Gonçalo, 59,99% dos válidos da cidade.
São Gonçalo é a segunda cidade mais populosa do estado, com 896.744 habitantes no Censo de 2022, e tem o segundo maior eleitorado, com 653.494 eleitores. Desde 1982, quando o governador voltou a ser escolhido pelo voto direto, nenhum dos que ocuparam o cargo, nem os vices que chegaram a assumir, nasceu ou fez carreira política na cidade, segundo levantamento do LF News nas biografias de cada um. O último gonçalense no comando do estado foi Geremias de Mattos Fontes, ex-prefeito da cidade, que governou o antigo Estado do Rio de 1967 a 1971, escolhido pela Assembleia Legislativa durante a ditadura militar.
Da Secretaria das Cidades ao MUVI e ao Parque RJ
Ruas se licenciou da Alerj em setembro de 2023 para assumir a Secretaria de Estado das Cidades, criada naquele mês pelo então governador Cláudio Castro, e ficou no cargo até março deste ano, quando saiu para disputar a eleição. Em março, a secretaria informou ter R$ 2,49 bilhões em contratos em andamento em 63 dos 92 municípios do estado.
Em São Gonçalo, a pasta tocou o MUVI (Mobilidade Urbana Verde Integrada), corredor de 18 quilômetros entre Neves e Guaxindiba, no leito da antiga linha férrea, com faixas exclusivas de ônibus, ciclovia, drenagem e 32 estações. Ruas conta que trabalhou na elaboração do projeto, feito pela secretaria municipal que ele chefiou, e depois na execução, a cargo do estado, com investimento acima de R$ 300 milhões, segundo o governo. O corredor ainda está em obras e já recebeu o selo do programa federal Bicicleta Brasil e um prêmio da Secretaria Especial de Integração Metropolitana da Prefeitura do Rio. Em 2023, Ruas o chamou de a maior intervenção de mobilidade da história da cidade.
Outra entrega da secretaria na cidade é o Parque RJ Nosso Sonho, inaugurado em 1º de março no terreno do antigo Piscinão do Boa Vista, que estava abandonado. São mais de 35 mil metros quadrados com anfiteatro para 15 mil pessoas, pista de corrida, skatepark, quadras e uma cascata, com entrada gratuita. O governo informou investimento de R$ 53 milhões do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam). O nome saiu da música "Nosso Sonho", da dupla Claudinho e Buchecha, e Buchecha cantou na inauguração. Foi o primeiro de um modelo de parque que a secretaria quer levar a outras regiões: a unidade da Baixada, em São João de Meriti, estava em obras em março.
Até a publicação desta matéria, Ruas não tinha comentado a decisão do TSE. Na noite da eleição, em entrevista em São Gonçalo, quando ainda esperava o julgamento sobre os votos de Garotinho, ele fez uma promessa aos eleitores.
“Vamos governar para todos, independente da escolha que tenha feito nas urnas”
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