Th Joias ao lado do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar
Prisão preventiva foi decretada pelo STF após a cassação do mandato; retotalização de votos do ex-deputado alterará a composição do Legislativo fluminense.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi preso pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (27) na cidade de Teresópolis, onde reside. A prisão preventiva foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), logo após o político ter o seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico.
A ação policial faz parte da terceira fase da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas e a obstrução de justiça. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Bacellar vazou informações estratégicas e orientou o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, a escapar de uma operação. A PGR aponta que as condutas buscavam prejudicar a Operação Zargun, focada em desarticular o tráfico internacional de armas liderado pela facção criminosa Comando Vermelho, da qual TH Joias é apontado como braço político.
Após a prisão na Região Serrana, o ex-deputado foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal e, na manhã deste sábado (28), a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) confirmou a sua entrada no sistema penitenciário fluminense. Bacellar foi alocado no presídio José Frederico Marques, localizado no bairro de Benfica, na zona norte da capital. A defesa do ex-deputado declarou, por meio de nota oficial, que considera a nova prisão indevida e afirmou que ele vinha cumprindo integralmente as medidas cautelares impostas anteriormente, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Retotalização de votos altera a Alerj
A cassação do mandato de Rodrigo Bacellar provocou a anulação dos mais de 97 mil votos obtidos pelo político nas eleições de 2022. Diante disso, o Tribunal Superior Eleitoral ordenou que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) faça uma retotalização dos votos na tarde da próxima terça-feira (31).
A medida resultará em um novo cálculo do quociente eleitoral, alterando a distribuição das cadeiras entre os partidos no parlamento estadual. Os cálculos internos da Alerj apontam que o partido União Brasil perderá uma cadeira devido à cassação, enquanto o Cidadania deve ganhar uma vaga que será ocupada pelo ex-deputado Comte Bittencourt. O PL, partido do governador afastado Cláudio Castro e do atual presidente interino da Casa, Douglas Ruas, pode manter sua bancada inalterada através das sobras eleitorais.
A reconfiguração do plenário agita os bastidores da política estadual, uma vez que a Assembleia Legislativa precisará organizar uma eleição interna para definir o novo comando da Casa e também participar da escolha indireta para o “mandato-tampão” do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

