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TRÂNSITO E TRANSPORTE

Frente política e popular tenta barrar instalação de novo pedágio eletrônico na BR-101

Sistema Free Flow prevê pórticos de cobrança no trecho de Tanguá e Rio Bonito ; prefeituras acionam a Justiça Federal e prometem manifestações com interdição da rodovia para impedir o projeto.

Leste Fluminense News 3 min de leitura
Frente política e popular tenta barrar instalação de novo pedágio eletrônico na BR-101
Foto: Acervo Leste Fluminense News

A autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a adoção do pedágio eletrônico "Free Flow" na rodovia BR-101/RJ desencadeou uma onda de insatisfação no Leste Fluminense. A novidade, que elimina as cabines físicas para que os veículos sejam cobrados sem precisar parar, vai impactar severamente a rotina dos cidadãos de Tanguá, Rio Bonito, Itaboraí, Silva Jardim e São Gonçalo.

O planejamento da agência consiste em estabelecer três pontos de cobrança, sustentados por seis pórticos de leitura, distribuídos na extensão entre o quilômetro 271,7 e o 303,4 da rodovia.

O desconforto coletivo se intensificou após uma audiência pública conduzida pela ANTT no dia 21 de maio, no município de Tanguá. Temendo uma retração socioeconômica na região, lideranças políticas começaram a agir.

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A administração municipal de Tanguá optou pela via judicial e formalizou uma ação civil pública na Justiça Federal. O alvo da ação inclui a União, a ANTT e a Arteris Fluminense, exigindo o bloqueio do projeto sob a justificativa de que o município não foi notificado oficialmente com antecedência e que faltou um debate aprofundado sobre os danos locais.

Na linha de frente desse movimento opositor está o ex-prefeito tanguaense, Rodrigo Medeiros. Ele classificou o plano como autoritário: “A ANTT e a concessionária Arteris Fluminense, responsável pela BR-101/RJ, resolveram implantar o sistema de pedágio sem consultar os municípios, tampouco a população. A audiência foi uma mera apresentação do projeto. Acho a cobrança um absurdo”. Medeiros informou ainda que a prefeitura atual firmou o compromisso de começar, nos próximos 30 dias, a expansão de uma via municipal que servirá de rota alternativa ligando Tanguá a Rio Bonito, esquivando-se da tarifa.

A resposta de Rio Bonito foi ainda mais severa. Após participar de uma reunião com representantes da ANTT em Brasília no último dia 27, o prefeito Marcos Abrahão foi incisivo em suas declarações. “Não podemos aceitar que a nossa população pague essa conta apenas para uma empresa milionária arrecadar ainda mais com quem vai para a Região dos Lagos. Se insistirem, vamos mobilizar a população. Vamos colocar trio elétrico, fazer manifestações e fechar a BR nos fins de semana até que a nossa voz seja ouvida”, garantiu o chefe do executivo local.

Impacto no bolso do trabalhador

Nas ruas, o sentimento é de revolta com a carga financeira imposta aos moradores. O vendedor João Antônio, de 38 anos, criticou a proximidade com outras praças tarifárias: “É péssimo porque já tem pedágio lá e agora querem botar outro aqui, numa cidade pequena. Um perto do outro!”.

O auxiliar de contabilidade João Pedro Neves, de 30 anos, repudiou a dupla tributação no transporte. “A gente já paga nossos impostos para ter uma estrada boa e não temos retorno disso. Ainda querem cobrar um pedágio pelo nosso direito de ir e vir. Não tem necessidade de fazer uma cobrança a mais!”, reclamou.

De acordo com a ANTT, a modalidade de livre passagem entrou na pauta através de um termo aditivo de modernização ao contrato da Autopista Fluminense. O órgão argumenta que o dinheiro arrecadado será essencial para o equilíbrio financeiro do contrato frente aos novos investimentos de conservação da via.

Segundo os trâmites estipulados, haverá um período de testes de 36 meses — contabilizando doze meses para a instalação e a fase subsequente para a operação assistida. O valor exato da tarifa só será revelado pouco antes do efetivo funcionamento. Por sua vez, a concessionária Arteris Fluminense detalhou que a previsão do cronograma oficial aponta o ano de 2027 para a estreia do sistema eletrônico na região.

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