Inea diz que pedreira onde adolescente morreu afogado em São Gonçalo é licenciada
Prefeitura afirma que segurança e controle de acesso são responsabilidade do proprietário; moradores dizem que o terreno não tem isolamento nem placas
Rodrigo José Oliveira Barreiro, de 14 anos, morreu afogado no domingo (1º) em um lago artificial formado em uma área de pedreira, no bairro Lindo Parque, em São Gonçalo. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que a pedreira tem licença de operação válida até 6 de agosto de 2031, e a prefeitura diz que o controle de acesso cabe ao dono do terreno.
Rodrigo estava com amigos na tarde de domingo quando mergulhou no lago e desapareceu. Segundo a família, o Corpo de Bombeiros foi acionado e encontrou o corpo a cerca de cinco metros de profundidade, depois de aproximadamente duas horas de buscas. O enterro foi na segunda-feira (2), no Cemitério de São Gonçalo. A 72ª DP (São Gonçalo) investiga as circunstâncias da morte, e, segundo a Polícia Civil, agentes fazem diligências para esclarecer os fatos.
Em nota, o Inea explicou que as lagoas de sedimentação são estruturas previstas no licenciamento de pedreiras. Elas armazenam água que depois é usada para aspergir as vias e controlar a poeira da atividade, e também recebem águas da chuva, como parte do sistema de drenagem do empreendimento. As licenças ambientais, segundo o órgão, trazem condicionantes para que essas bacias continuem em condições de receber a água da chuva.
O instituto ressalta, porém, que a fiscalização ambiental não transfere a ele a responsabilidade pelo controle da entrada de pessoas nas propriedades.
“As áreas são privadas e o controle de acesso é responsabilidade do empreendedor.”
A pedreira onde ocorreu o acidente tem Licença de Operação válida até 6 de agosto de 2031, informou o Inea. O empreendimento é acompanhado pela Diretoria de Pós-Licença e Fiscalização Ambiental, que fez a última vistoria no local em 19 de dezembro de 2025. Uma nova inspeção está prevista para os próximos dias.
A Prefeitura de São Gonçalo lamentou a morte do adolescente e afirmou que a empresa está regularizada junto à administração municipal. Segundo o município, cabe ao Inea a fiscalização e o licenciamento ambiental, por causa do tipo de atividade, e, por ser terreno privado, a responsabilidade pela segurança e pelo controle de acesso é do proprietário.
Moradores da região afirmam que o terreno não tem isolamento nem placas de proibição e que pode ser acessado com facilidade pela rua. A família de Rodrigo também chamou atenção para a falta de barreiras e disse que não sabia que o reservatório era tão fundo.
A empresa responsável pelo local não havia se manifestado até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para a manifestação.
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