Outono começa com temperaturas acima da média no Rio de Janeiro e meteorologistas alertam para os efeitos do El Niño
Nova estação terá chuvas irregulares e calor prolongado enquanto fenômeno climático ameaça trazer seca para o Sudeste e chuvas extremas para o Sul.
O outono começou oficialmente às 11h45 do dia 20 de março e marca a transição climática anual no Brasil. No estado do Rio de Janeiro, as primeiras semanas da nova estação manterão características típicas do verão, com dias de forte calor, alta umidade e possibilidade de pancadas de chuva entre os períodos da tarde e da noite. De acordo com os dados meteorológicos, a estação apresentará uma redução gradual do volume de precipitações, mas o calor persistirá por mais tempo do que o habitual. A previsão indica que as chuvas se tornarão cada vez mais irregulares ao longo dos próximos meses, embora alguns episódios possam ter duração prolongada.
Para o período do inverno, os modelos climáticos apontam para uma estação menos rigorosa no território fluminense. A tendência é de um inverno mais quente com menor frequência de ondas de frio intenso. A mudança ocorre devido à atuação de ventos do norte que dificultam a chegada de massas de ar polar à região Sudeste. O cenário favorece a ocorrência dos chamados veranicos, que são períodos prolongados de tempo seco e calor fora de época no meio da estação fria. Essa combinação climática gera preocupação de abastecimento para setores como a agricultura e a distribuição de água potável.
O avanço do El Niño
O principal fator para as mudanças climáticas projetadas é a formação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. A anomalia deve começar a se configurar no outono e ganhará força total no segundo semestre do ano. O El Niño provocará seca e aumento do calor no Sudeste e no Centro-Oeste, elevando a incidência de incêndios florestais e a propagação de fumaça para os centros urbanos, o que impacta diretamente a saúde da população. O meteorologista Guilherme Borges explicou que a anomalia também reduz as precipitações nas regiões Norte e Nordeste, enquanto potencializa a subida das temperaturas e fortalece a ocorrência de ondas de calor pelo país.
Simultaneamente, os especialistas alertam que o padrão atmosférico eleva drasticamente o risco de chuvas excessivas e volumosas no Sul do Brasil. As condições climáticas monitoradas atualmente pelos modelos globais são muito similares ao cenário que antecedeu as enchentes históricas registradas no Rio Grande do Sul no ano de 2024. Naquela ocasião, as chuvas persistentes foram causadas por uma grande área de baixa pressão atmosférica somada à chegada de uma frente fria. Municípios como Caxias do Sul registraram 845,3 milímetros de chuva, número muito superior ao esperado de 131,4 milímetros. Os transtornos geraram uma perda de aproximadamente 3,7 bilhões de reais para a agricultura do estado gaúcho, segundo relatório da Confederação Nacional dos Municípios.
Os meteorologistas destacam que o fenômeno desloca os corredores de umidade e favorece a formação de frentes frias sobre a região Sul. A previsão aponta que o mês de maio já pode apresentar sinais importantes dessa mudança e o alerta de volumes elevados se estende também para os estados de Santa Catarina e do Paraná. Apesar da semelhança com o cenário de desastre anterior, os especialistas ressaltam que não é possível cravar a repetição de uma tragédia na mesma escala, pois o comportamento exato das chuvas dependerá de fatores de curto prazo que precisam de acompanhamento contínuo.
ALERTA DE UTILIDADE PUBLICA: CUIDADOS COM A HIDRATACAO DURANTE OS VERANICOS
O portal LF NEWS alerta a população sobre os cuidados necessários com a saúde durante a ocorrência dos chamados "veranicos". A meteorologia prevê que o outono e o inverno deste ano terão períodos prolongados de tempo seco e calor fora de época.
Para enfrentar a variação climática e a baixa umidade, reforce o consumo de água ao longo de todo o dia, mesmo sem sentir sede. Evite a exposção direta ao sol nos horários mais quentes e umidifique os ambientes fechados. Redobre a atenção com a hidratação de crianças e idosos, que são mais vulneráveis as mudanças bruscas de temperatura.
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