O autêntico clima de São João tomou conta do Parque RJ Nosso Sonho, localizado no bairro Boa Vista, neste domingo (7). Uma grande estrutura foi montada para festejar a primeira década de fundação do tradicional grupo gonçalense ‘Quadrilha Balão Dourado’. O evento, que se estendeu das 14h30 às 21h, atraiu um público estimado em mais de duas mil pessoas, consolidando-se como uma grande exaltação à cultura popular e às artes periféricas na cidade.
A celebração foi marcada por momentos de forte emoção e resgate histórico. Durante a programação, os diretores da Balão Dourado receberam certificados de reconhecimento pelo trabalho social e cultural desenvolvido. Além disso, os presentes puderam assistir a um documentário em curta-metragem retratando a trajetória vitoriosa do coletivo, que soma mais de 100 exibições públicas apenas no último ano e eleva o nome do município em campeonatos de abrangência nacional.
A festa promoveu um valioso intercâmbio ao convidar agremiações consagradas de outras regiões do Rio de Janeiro para se apresentarem no asfalto gonçalense. Passaram pelo picadeiro grupos como ‘Estrela Show’, ‘Pega Fogo de Irajá’, ‘Pesgando Fogo’ e ‘Estrela Dourada’, enchendo o espaço de trajes requintados e sincronia musical.
O ápice do evento ocorreu no encerramento, quando a Balão Dourado assumiu o espaço principal. Atualmente, a quadrilha conta com cerca de 170 integrantes, todos moradores do município. O presidente do grupo, Cristiano Pereira — conhecido carinhosamente como Carequinha —, relembrou que a semente da quadrilha foi plantada ainda na década de 1980, mas as atividades acabaram sendo interrompidas. O retorno triunfal ocorreu em formato de promessa.
“Eu dancei na Balão Dourado na sua primeira fase. O grupo ficou inativo por 15 anos e eu prometi ao Marcos Jorge Vidal, nosso antigo presidente, que reergueria a quadrilha. Com o falecimento dele em 2015, isso virou uma questão de honra familiar. Retornamos em 2016 e hoje celebramos 10 anos de conquistas. Para este domingo, dividimos a apresentação em duas etapas: primeiro os novatos e depois o time principal, garantindo a inclusão de todos. Deixo também nosso agradecimento à Prefeitura e ao prefeito Capitão Nelson pela cedência e apoio logístico neste espaço público maravilhoso”, declarou o presidente.
Para quem vivencia o cotidiano da agremiação, o sentimento é de orgulho e pertencimento. Herik França, de 24 anos, hoje ocupa o cargo de diretor da quadrilha, mas iniciou sua caminhada de forma despretensiosa após assistir a uma apresentação do grupo na escola em que estudava.
“Fiquei completamente fascinado logo no primeiro ano que os vi. Entrei como dançarino reserva e hoje faço parte da diretoria. Estar aqui é inexplicável; ensaiar e dançar me faz esquecer qualquer problema do dia a dia. É um projeto que resgata vidas através da arte e fomenta a cultura dentro de São Gonçalo”, enfatizou Herik.
A aprovação do evento foi unânime também entre o público que lotou as arquibancadas temporárias. A repositora Elaine Moraes, de 47 anos, moradora do Boa Vista, acompanhou as coreografias do início ao fim e elogiou a infraestrutura oferecida.
“Descobri a festa através das redes sociais e vim correndo, pois amo o período junino. Eventos desse porte são fundamentais porque integram as famílias e valorizam nossa identidade. Sou frequentadora assídua do Parque RJ Nosso Sonho para práticas esportivas e ver esse local sendo usado para a cultura me deixa muito feliz. São Gonçalo merecia um espaço com essa qualidade”, concluiu.
