Retotalização confirma vitória do gonçalense Douglas Ruas no 1º turno
Sem os votos de Garotinho, ele fica com 50,88% dos válidos, o que dispensa o segundo turno; plenário do TRE-RJ proclama o resultado na quinta (15)
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) refez no sábado (10) a totalização dos votos para governador sem os 274.411 dados a Anthony Garotinho (Republicanos), e Douglas Ruas (PL), nascido em São Gonçalo, passou da metade dos votos válidos: ficou com 4.271.199, ou 50,88%, o suficiente para vencer no primeiro turno. Com isso, não haverá segundo turno para governador no dia 25. O resultado definitivo será proclamado pelo plenário do tribunal na quinta-feira (15), às 15h.
A retotalização foi conduzida pelo presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, no Palácio da Democracia, sede do tribunal no Centro do Rio. Não se trata de uma recontagem, informou o tribunal em nota: os votos registrados nas urnas continuam os mesmos. "O que muda é a base do cálculo", disse Mello Tavares. Os votos de Garotinho passaram a ser considerados nulos e saíram do total de válidos, que ficou em 8.394.627, e Ruas terminou cerca de 74 mil votos acima da metade. Paes ficou com 3.706.984 votos, 44,16%. Na apuração da noite da eleição, com os votos de Garotinho na conta, Ruas tinha 49,27%, e Paes, 42,76%.
Garotinho disputou a eleição com o registro de candidatura negado, e os votos dele dependiam do julgamento do recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na quinta-feira (8), a corte manteve a negativa do registro por unanimidade e, por 5 votos a 2, anulou esses votos. A coligação de Paes pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendesse a decisão, o que manteria o segundo turno, mas o ministro Cristiano Zanin negou o pedido. Nas redes sociais, Paes reconheceu a derrota e disse que a decisão contrariou "a vontade soberana dos eleitores". "E decisão judicial a gente respeita", escreveu, segundo a CNN Brasil.
Segundo o TRE-RJ, a ata da sessão será publicada no Diário da Justiça Eletrônico. A partir daí, partidos e federações têm três dias para examinar os relatórios e os documentos da retotalização e mais dois para contestar o resultado, com reclamações ou impugnações. Depois, a Comissão Apuradora, formada pelo presidente, pelo vice-presidente e corregedor regional eleitoral, Fernando Chagas, e pelo desembargador eleitoral Fábio Porto, envia o relatório ao plenário, onde o presidente do tribunal é o relator. Até a proclamação, seguem suspensas a preparação do segundo turno para governador e a propaganda eleitoral dessa disputa.
Os eleitos têm de ser diplomados até 18 de dezembro, e a posse será em 6 de janeiro de 2027. A vice-governadora eleita é Fernanda Louback (PL), vereadora de Niterói. Confirmado o resultado, o eleitor fluminense volta às urnas no dia 25 apenas para escolher o presidente da República, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Ato em São Gonçalo
Horas antes da sessão do TRE-RJ, Ruas e Flávio fizeram uma motocarreata com apoiadores em São Gonçalo, com a presença do prefeito, Capitão Nelson (PL), pai de Ruas. O ato percorreu ruas da cidade na manhã de sábado e terminou no centro de Alcântara, onde os dois discursaram. "Hoje, São Gonçalo oficialmente tem um governador", disse Flávio, segundo O Tempo e o Diário do Rio. De acordo com o Diário do Rio, Ruas agradeceu aos eleitores e pediu aos apoiadores que fizessem campanha por Flávio até o segundo turno. O LF News mostrou o ato no sábado.
Depois da retotalização, Ruas comemorou o resultado e afirmou que "a missão está apenas começando", segundo o portal Agenda do Poder.
Ruas tem 37 anos, é filho do prefeito e preside a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Desde 1982, quando o governador voltou a ser eleito pelo voto direto, nenhum dos que ocuparam o cargo nasceu ou fez carreira política em São Gonçalo, segundo levantamento do LF News publicado na quinta-feira. No primeiro turno, Ruas teve 264.410 votos na cidade, 59,99% dos válidos na apuração da noite da eleição.
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